Desenvolvendo um sonho para chegar às conquistas

Desenvolvendo um sonho para chegar às conquistas

Eu sei que havia falado que esse meu texto seria, ainda, do Curitiba Rugby. Não esqueci. Todavia, com a vitória que tivemos esse final de semana, eu senti uma incrível necessidade de escrever sobre a nossa seleção de rugby XV e não só por esse jogo, mas pelo trabalho que vem sendo feito há algum tempo.

Tenho mania de mandar mensagens antes e depois dos jogos para os meus amigos que estão vestindo a camisa dos tupis, pareço mãe, eu sei, mas gosto de passar essa boa energia. Faço isso, também, porque sei todo o trabalho que é feito até o dia da grande partida e como esses guerreiros merecem cada reconhecimento. Eles estão construindo um legado. Trabalho a longo prazo, como o bom desenvolvimento deve ser.

O ano de 2014 foi ano de mudanças para os tupis. Saem neozelandeses e entram argentinos. Novos nomes passam a fazer parte do grupo e, diga-se de passagem, esses novatos estão mostrando que não chegaram pra brincadeira. Mudanças fazem parte de um projeto de desenvolvimento e elas não devem ser temidas e sim aproveitadas, como vêm fazendo.

O jogo desse sábado contra o Paraguai foi coisa linda de ver. Gritei, e não foi pouco. Vi erros, mas vi, principalmente, muitos acertos. O que gostei mesmo foi ver nitidamente a evolução que tiveram no intervalo de um jogo para o outro, no caso, apenas uma semana. Sete dias que o novo treinador teve para estudar e aplicar o que foi aprendido no jogo seguinte. Igual prova de escola mesmo. Pega o livro, lê a matéria, estuda bastante e, por fim, faz a prova. É no jogo que sabemos se o que vem sendo feito está sendo bem aproveitado.

O novo treinador, Rodolfo Ambrosio, ainda tímido em solo brasileiro, está em fase de estudo, de experimento. Conhecendo os nossos atletas e testando o plantel. Quem conseguiu acompanhar o jogo viu que os testes estão indo de vento e popa e que vem coisa boa por ai. Por que digo isso? Pelo simples fato de que, se apenas na fase de testes, já estamos alcançando bons resultados, imagine você quando estiver tudo nos trinques. Vai ser ainda mais lindo.

Comentando do jogo com alguns conhecidos, me perguntaram “Porque você fala tudo como se você estivesse no campo também?”… Pois é, falo tudo em nós, porque somos todos nós juntos. Se temos os mesmos sonhos, temos os mesmo princípios e valores, as mesmas vontades, somos todos um só, somo nós. Quando eu digo “Nós entramos em campo”, quero dizer que o Brasil Rugby entrou em campo. Quando eu digo “Ganhamos”, quero dizer que o Brasil Rugby ganhou. O “nós” é representado por 23 guerreiros que mereceram vestir o manto verde e amarelo. Eu sou a 24ª do time, sempre na torcida.

Dou, formalmente, as boas vindas ao novo treinador, mas sem antes esquecer de agradecer o trabalho feito pelos amigos neozelandeses e, principalmente, ao head coach Brent Frew, que foi o treinador da nossa seleção de rugby XV por mais de 2 anos. Ainda estamos em fase de amadurecimento e tem muito trabalho pela frente. Obrigada, Frubee, por ter guiado esses guerreiros tupis, você faz parte, também, do legado que está sendo criado.

Aos novos meninos, parabenizo pelo bom desempenho apresentado, mas, principalmente, desejo muita garra e determinação. Vocês mereceram vestir a camisa e agora terão que manter esse mérito. Aprendam e apreendam com os grandes nomes que, hoje, vocês têm a honra de jogarem ao lado. Não se esqueçam que, graças a eles, seus sonhos estão cada vez mais palpáveis.

Aos bons e velhos guerreiros que nunca desistiram, obrigada. Saibam que, se vocês tivessem desistido no meio do caminho, os sonhos de muitos que estão surgindo não seriam possíveis, incluindo o meu. Eu sei que esse longo caminho não foi fácil e sei também como cada um matou (e continua matando) um leão por dia para sustentar esse sonho. O que me deixa sempre emocionada é ver a garra dentro e fora de campo, a responsabilidade que carregam ao vestirem a camisa. São poucos que tiveram essa mesma coragem de enfrentar a batalha que tem sido alavancar o rugby aqui no Brasil.

Finalizo por aqui desejando boa sorte ao grupo do XV e que 2015 seja de muito suor e aprendizado. Agora é foco no Sula, mas, por ora, descansem bem e recarreguem as energias porque o próximo ano os espera e não vai ser fácil, mas quem disse que um dia seria, não é mesmo?

Orgulhosa que sou, compartilho aqui o jogo completo para quem não conseguiu assistir ao vivo:

 

Amanda Abed 1Esse texto foi escrito pela jornalista, rugbier e voleiboleira Amanda Abed. Em 21 anos de vida, ao menos 10 deles foram de dedicação aos esportes, seja jogando, trabalhando ou escrevendo sobre o assunto. “Sou baixinha e invocada. No rugby sou hooker e, no vôlei, sou líbero. Já escrevi muito sobre rugby, mas como a coordenadora de comunicação da CBRu e, a partir de agora, escreverei sobre ele com uma outra visão e falarei sobre todo e qualquer tema que envolva a tal da bola oval. Isso inclui a história, o presente, o futuro, o rugby feminino, o rugby masculino, a arbitragem, as crianças, os campeonatos e por ai vai. Tenho o sonho que qualquer amante de rugby no Brasil tem, vê-lo cada vez maior num país que tem espaço suficiente para qualquer esporte. Bem-vindos à minha coluna – um dos meus sonhos particulares -, espero que gostem!”.

 

*Os textos publicados na sessão COLUNISTAS expressam as opiniões dos mesmos. Neste espaço, a RUGBIER promove a livre expressão de ideias de especialistas em diversas áreas do rugby.

Share this:

Leave a Reply

Imagem CAPTCHA

*