O Kick off do rugby feminino no Brasil

O Kick off do rugby feminino no Brasil

O Kick off do rugby feminino no Brasil e as 7 razões porque a categoria é a mais competitiva do rugby nacional.

 

Nos circulos do rugby brasileiro, existe muitos sentimentos conflitantes quanto ao rugby feminino. Do simples, não é para mulheres, a coisas muito mais criativas e sem nexo. Muito se pode discutir a respeito, e todos tem uma parcela de loucura e de razão. mas em geral atinge parcela de jogadores, dirigentes e torcedores.

Sigo as meninas, há muito tempo. Desde 1982, desculpem se a data estiver errada, mas em 1982, muito a contra gosto da ABR, a CBRu da época, realizamos a primeira partida de feminino de sevens do Brasil, entre PASTEUR  e 3º TEMPO.

A ABR tentou impedir, mas como o SPAC não tinha objeções e o torneio era na casa dele, mesmo sendo da ABR e deliberadamente como era o estilo do Pasteur, nós não pedimos nada a ABR, nem bola, nem arbitro, nada, ficou difícil dizer não, mesmo porque ainda tenho dificuldade em entender o significado desta palavra. Nos deram o pior horário, junto com as finais. Infelizmente naquele ano, o Pasteur não foi as finais e, pusemos as meninas em campo simultaneamente com a grande final do torneio.

Um amigo que disputou a final me disse: Foi a final mais solitária que já joguei, todos estavam no campo de futebol acompanhando o jogo das meninas. Nem os reservas estavam olhando o próprio jogo, estava todo mundo lá no campo de futebol. Todos sem exceção, menos os dirigentes da ABR é claro. Cerca de 300 torcedores entre torcedores, famílias e jogadores. Ninguém, se lembra da final.

Só um aparte importante, os que me conhecem sabem, que apesar de fazer muita coisa certa e ter alguma visão das coisas, a única razão da promoção da primeira partida de feminino foi diversão, apenas diversão e amizade.  Éramos todos muito bons amigos e as meninas falavam que achavam rugby bárbaro e eu me perguntava bárbaro ou bárbaro? Elas seguiam o rugby a toda parte, conheciam bastante o jogo, seja por cultura, seja em família pelos namorados, amigos de classe, elas estavam sempre sempre conosco. Algumas diziam que se perguntavam se aqueles caras (os jogadores) que elas admiravam tanto, tinham de fato algo a mais, claro, pura lenda, e por isto decidiram ir a campo e conferir.

Hoje, 2014, três  décadas depois, sigo apoiando, como posso o rugby feminino e lhe dou 7 razões para que vc acredite e se junte a mim nesta torcida.

  • 1- OPORTUNIDADE:  O rugby feminino internacional, com exceção das grandes nações de rugby que adquiriram certa popularidade no feminino, em geral, nos países anglo saxões, é pequeno e possui um nicho bem restrito, com um fator multiplicador inferior ao da categoria masculino, então recebe investimento marginal, desta forma.
  • 2- MENOR CUSTO. Na maioria dos itens o custo é 50% inferior ao XV, e em tempo, os eventos são mais longos mas o momento de pico são de apenas 15 minutos, consideravelmente mais curto do que os jogos de XV.
  • 3- MODELO GERADOR DE CAIXA: CIRCO VOADOR,  como o circo da fórmula 1 e, para o nosso caso, o apelo está  nos valores olímpicos e desportivos, apelo das nações e com isto recebe uma fatia da atenção da mídia com anunciantes, patrocinadores e apoio institucional e financeiro do COI e do IRB.  Beneficiada por um arcabouço legal, favorável e com foco em benefícios fiscais. Portanto, gera liquidez e financiamento para atividade.
  • 4- PERFORMANCE CONSTANTE: mesmo que com um crescimento moderado e ao custo de perdermos rapidamente algumas de nossas melhores atletas por contusão, elas tem um grupo que vem se expandindo, que apresentam um nível técnico mais coeso e assim, se confirmam como a 10ª maior equipe nacional da competição.
  • 5-  MATURIDADE E RESPONSABILIDADE ( vamos as diferenças agora, ) após muita observação e prática, confesso que um treino com uma equipe feminina exige tanta atenção quanto o de uma equipe masculina, em geral os rapazes compreendem mais rapidamente o fluxo básico do jogo, mas uma vez fechado o gap de entendimento do jogo para uma media coesa e aceitável, as meninas não apresentam muitas das fraquezas frequentes em atletas como: insegurança, ansiedade, indisciplina ou certo desleixo, todos fatores limitante de aprendizado técnico. Reações comuns e naturais da idade e rituais de passagem para a vida adulta. Sem mencionar que a uma menina não se cobra, ela se adianta a tudo, em pagamentos, em informação e sempre mais ponderadas, vejo nisto um valor enorme em seu beneficio.
  • 6- DETERMINAÇÃO: Vou dizer, acho que o feminino tem suportado uma carga insana de treinamento e assim, as meninas estão sofrendo frequentemente de contusões que arriscam nossas chances de medalhas, mesmo que modestas. Acompanho todos os cuidados e o problema aí, é o numero limitado de talentos mais preparados e prontos que possam vir a despontar até as olimpíadas. Mesmo assim, apesar de todos os pesares, elas não desistem, suportam uma carga colossal, pondo em risco a própria integridade física e sem trégua.
  • 7- A MAIS IMPORTANTE: SÃO GENTE BONÍSSIMA, possuem as características das pessoas que admiro, batalhadoras e de sucesso.

Neste sentido, precisamos sobretudo investir em categoria de base e em especial na feminina, não existem escolas com uma experiência de nossas condições. Incentivar o XV, Xns e Sevens e por que não o beach rugby, em breve, uma bola Hippo para o circuíto brasileiro de sevens (anúncio publicitário… ooops). Tenho certeza que o Beach. Porque já tem muito micro talento feminino chegando. Conheci uma no Spac KIDS, torneio que teve a Hippo como fornecedora oficial de bolas e protetores de postes. Uma pititica francesinha marcou 3 tries e era pura coragem e determinação. Não podemos nos dar ao luxo de desperdiçar qualquer talento que apareça, sobretudo no feminino, devemos trazer jogadoras de fora, para incrementar nosso nível técnico e enviar nossas jogadoras do 2º e 3º nível para intercâmbios, é alcançável e não dá para saber se estas condições estarão ai no futuro, então o momento é agora.

Há de se pensar, planejar e desenvolver com muito cuidado e retribuir o sacrifico, pois elas fazem por merecer, sobretudo após Dubai que se falou muito pouco a respeito e foi um grande sucesso. Tem de se aproveitar o momento e criar uma escola, adotar o estilo brasileiro e ir a luta que um dia isto virará uma realidade e beneficiará todas as categorias e modalidades o rugby pode oferecer.
Está visão é baseada em fatos reais.

Até breve, e  estou com vocês meninas.
1, 2, 3… Brasil!

Miudo Pasteur

Esse texto foi escrito por Miudo, experiente conhecedor e praticante do Rugby.
1980 – Começou como juvenil nas categorias de base do Liceu Pasteur como segunda linha, e também na 1ª divisão do Paulista, como pilar, aos 16 anos.
1981- Foi assistente de treinador das categorias de base do Liceu Pasteur. A 1ª Convocação para seleção brasileira juvenil.
1982 – Pasteur Athletique Clube -Treinou a primeira equipe feminina em amistoso de Sevens contra o 3º tempo
1983 – Atleta, Mackenzie Universitário
1984 – Atleta e treinador da FGV – Seleção Universitária, Paulista e Brasileira Campeão Paulista e Brasileiro.  Treinador do Colégio Domus – infantil até 1990.  Fui titular contra os Penguins.
1984-1993  – Dirigente do Pasteur Athletique Club, jogador e treinador das categorias de base. Um dos principais árbitros de Rugby com mais de 700 partidas oficiais pelo Pasteur.
1990 – Preparação pré-temporada em Buenos Aires pelo GEBA.
1990 – Treinador de Rugby pela ABR e SARFU – Nível 2.
1991 – Gira para Buenos Aires.
1994 – Jogador do SPAC.
1995-1996 – Lloyds Bank Rugby Club – Inglaterra.

 

*Os textos publicados na sessão COLUNISTAS expressam as opiniões dos mesmos. Neste espaço, a RUGBIER promove a livre expressão de ideias de especialistas em diversas áreas do rugby.

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