O que somos, o que podemos ser, e o que precisamos para chegar lá

O que somos, o que podemos ser, e o que precisamos para chegar lá

Neste final de semana nossas seleções de Rugby Sevens participaram do torneio de DUBAI, no qual enfrentaram os melhores do mundo.

No masculino, não obtivemos vitórias em encontros com Argentina, Fiji, França, Portugal e Kenya, mas demonstramos evolução nesse processo que, longo, pode nos levar a resultados inéditos nos Jogos de 2016.

De fato, fomos competitivos contra três dos cinco adversários (Argentina, França e Kenya), e poderíamos ter trazido um resultado melhor, não fossem pequenos detalhes.

Temos dois atletas de origem estrangeira em nossa equipe, Harvey e Fiori, que contribuem de forma direta para nosso crescimento. Nossa comissão técnica nova também vem fazendo um excelente trabalho, respondendo pelo crescimento de nosso jogo.

O modelo que estamos adotando assemelha-se ao aplicado, no Rugby XV, na Itália, nos anos 1990. Ali se colheu ótimos frutos, com paciência e persistência.

Estamos portanto, no Rugby Sevens masculino, adiante do que vemos no Rugby XV. A acertada escolha da separação entre atletas do Rugby XV e do Rugby Seven permitiu dedicação plena de atletas que representam o que temos de melhor, aos quais foram agregados esses estrangeiros que aderiram ao nosso país como sua pátria.

Já no Feminino, nossas atletas mais uma vez demonstraram que estão subindo a cada competição, em um muito promissor caminho para 2016. Colheram um ótimo nono lugar após vencer espanholas e sul-africanas. Foram batidas por Canadá, Inglaterra e Fiji, mas mostraram que, com mais potencia e físico, podemos encará-las e até batê-las.

Estamos pois, no feminino, um passo à frente do masculino. Temos maior competitividade, e podemos evoluir em aspectos técnicos de forma a ampliar nossas chances em 2016.

Até onde podemos ir? Ora, almejar a disputa por uma medalha em 2016 parece ainda algo distante, porque o tempo é curto (mas, já escrevi antes, não descarto uma surpresa para um bronze), mas não será absurdo pensarmos nesse resultado já em 2020, desde que não se descuide da base.  Hoje temos nossos atletas de alto rendimento no foco, mas uma das funções desses atletas, e Fernando Portugal é um excepcional exemplo positivo nesse aspecto, é a de criar exemplos para os garotos que estão iniciando. Com ídolos, há sempre norte a seguir.

E para chegar a esse resultado, claro, é necessário ter recursos. Nossos patrocinadores, com razão, querem ver resultados, a melhor forme de ter exposição espontânea em mídia de suas marcas. Mas, é claro, focam também em desenvolvimento e crescimento, o que passa pelo investimento, social e esportivo, na base.

Havendo a conjugação entre investimento na base e no alto rendimento, teremos os ídolos a nortear a garotada com condições para que essa nova geração cresça e suba mais degraus no cenário internacional.

Com o estímulo e estrutura adequados, teremos em 2016 uma participação digna de orgulho, abrindo as portas para que, em 2020 ou no máximo em 2024, possamos disputar medalha com as potências que hoje ainda nos vencem no circuito mundial de Rugby Sevens.

Vamos trabalhar e torcer.

 

werner_grauEsse texto foi escrito por Werner Grau, que é Rugbier desde 1980, Advogado e Vice Presidente da CBRu.

 

 

 

 

 

*Os textos publicados na sessão COLUNISTAS expressam as opiniões dos mesmos. Neste espaço, a RUGBIER promove a livre expressão de ideias de especialistas em diversas áreas do rugby.

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1 Comment

  1. Alison Francisco
    Alison Francisco2 years ago

    Prezado Werner,
    Vi os jogos e concordo plenamente com o que diz. E acho que uma melhor classificação do feminino foi questão de detalhes, não apenas potência ou físico. Sugeriria para evolução do rugby maior ramificação de uma estrutura e conhecimento pata desenvolvimento de projetos mais profissionais em locais onde o rugby já existe, como, pe, nas cidades do interior paulista onde já existem equipes em atividade. Um abraço

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