O start foi dado no WSWS 2015

O start foi dado no WSWS 2015

Mais um WSWS, Women’s Sevens World Series, começou e, mais uma vez, as Black Ferns  saíram vitoriosas na primeira etapa, realizada em Dubai nos dias 4 e 5 de Dezembro. A boa notícia é que nossas guerreiras tupis não ficaram a ver navios não. Foram cinco jogos duríssimos, mas depois da vitória em cima das sul-africanas, as brasileiras ergueram a Taça Bronze do campeonato.

O torneio conta com algumas mudanças para 2015, dentre elas, um novo país sede: a Inglaterra. O Brasil mantém o seu posto e receberá a próxima etapa, no dias 7 e 8 de Fevereiro, seguida por USA, Canadá (no lugar de Guangzhou, China), Inglaterra e, por último, Holanda.

A etapa de DubaBrasil Rugby 1i não começou nem um pouco fácil para as Tupis. O grupo das brasileiras tinha ninguém menos que Inglaterra, Canadá e Fiji.  Três derrotas no primeiro dia poderia desanimar qualquer time, mas não quando se trata de uma equipe como a do Brasil. Literalmente dando a volta por cima, a Tupis, lideradas pela Paulinha Ishibashi – uma das jogadoras mais experientes da seleção atualmente -, venceram a Espanha de virada e, na final da Taça Bronze, fizeram um jogo arrepiante com a África do Sul. Vitória nossa e de tirar o chapéu.

Para saber mais como foi o torneio, conversamos um pouco com a Paulinha, capitã da seleção nessa etapa de Dubai.

Rugbier: Como você avalia a participação do Brasil na 1ª etapa do WSWS em comparação às ultimas que participaram?

Paulinha: Fomos com uma expectativa alta para essa etapa. Sabíamos que não seria fácil, mas queríamos muito fazer um jogo pegado com Inglaterra e Fiji, justamente por conta de resultados anteriores que tivemos contra elas. Canadá é sempre um adversário muito forte, chegamos a ter um empate no ano passado nessa mesma etapa, mas sabíamos que seria muito difícil jogar com elas. Infelizmente, nosso primeiro dia não foi tão bom quanto esperávamos, mas nos superamos no segundo dia e deixamos no passado os jogos do primeiro dia. Serviram de aprendizado e sabemos onde devemos melhorar cada dia mais. Mas foi bom que, embora tudo parecesse negativo, tivemos a chance de fazer melhor no segundo dia e foi incrível.

Rugbier: Sendo uma das mais antigas e agora como capitã, qual a sua visão desse time? Pesou muito? Foi a primeira vez de capitã no WSWS?

Paulinha: Foi a primeira vez como capitã, mas fui vice-capitã em outras. Não senti peso algum. Individualmente, eu me cobro muito e penso que poderia ter feito melhor, mas essa minha autocobrança não tem nada a ver com a função de capitã. O grupo é maravilhoso, não tive que me preocupar. Nós nos ajudamos, dividimos tarefas e sabemos discutir formas de como melhorar nossa performance. Cada uma dentro do grupo também é um pouco líder, então não existe um peso em ser capitã, mas sim um orgulho em poder liderar dentro de campo um grupo tão fantástico.

Rugbier: A preparação que estão fazendo é suficiente pra encarar as próximas etapas e, em 2016, as Olimpíadas, já que serão praticamente as mesmas equipes?

Paulinha: Nunca podemos achar que é o suficiente. Estamos trabalhando duro, treinando de 2 a 3 vezes no mesmo dia, fazendo jogos contra meninos, mas sabemos que suficiente ainda não é. Temos que continuar trabalhando duro, melhorando detalhes e lapidando o que temos de bom. Com certeza, as outras equipes também estão trabalhando forte e quando nós evoluímos, elas também estão evoluindo. Para 2016 ainda tem muito trabalho pela frente.

Rugbier: Vitória de virada sobre a Espanha e adversárias gigantes. Taça bronze na mão, como você avalia o desempenho de vocês perante os times que enfrentaram?

Paulinha: Nunca vamos ficar satisfeitas, mas posso dizer que saímos muito felizes e orgulhosas. Não só pela vitória em cima de equipes que já estavam “entaladas” há muito tempo, mas pela nossa capacidade de reviravolta no segundo dia. Foi como se o torneio tivesse começado de novo. Tomamos melhores decisões, fomos mais agressivas, colocamos tudo que tínhamos em campo. Graças a Deus, ninguém estava lesionada e pudemos entrar em 12 em campo (tivemos um banco muito bom e forte, e isso com certeza ajudou muito!). Levantamos, sacudimos a poeira e nos demos um presente: ser melhores do que fomos no primeiro dia e sair do torneio com uma taça na mão. Sabemos que podemos mais, e essa hora vai chegar.

Rugbier: Novos nomes na seleção, como por exemplo a “Mintira” que tem se destacado cada vez mais, a tendência é que mais novatas apareçam. Você, como  uma das mais experientes vestindo a camisa da seleção há 10 anos, qual a tua visão sobre esse crescimento e como você viu o desempenho das novatas em um dos principais campeonatos de rugby sevens?

Paulinha: É muito bom, depois de todos esse anos, poder dividir o campo com essas novas “promessas” do rugby feminino. A Amanda “Mintira” tem muitas coisas para aprender, mas ela já mostrou que tem muita capacidade e é uma atleta que vai nos dar muito orgulho. Não só ela como muitas outras meninas. Hoje em dia, elas podem aprender o melhor do rugby que já tivemos. Eu jogo rugby há 14 anos, mas por muitos anos jogamos num nível muito baixo e tivemos que aprender algumas coisas ao longo dos anos, depois de muitos e muitos treinos. Hoje em dia, essas meninas que chegam ao rugby podem aprender tudo que aprendi em 14 anos em 3-5 anos. Hoje temos uma base dentro dos clubes que permite transmitir coisas muito boas para as atletas que chegam hoje. Temos treinadores, material, campeonato competitivo, seleção brasileira em alto nível. Com certeza teremos outras novatas estreando com a camisa amarela, mas para isso elas terão que fazer muito para merecer. Demos muito suor e sangue por cada conquista do Brasil e cada menina que chega ao grupo precisa saber e conhecer essa história para continuar levando ela adiante, com o mesmo orgulho que cada uma de nós temos.

Resultados do Brasil:
04/12
Brasil 10 x 26 Canadá
Brasil 7 x 29 Inglaterra
Brasil 12 x 21 Fiji

05/12
Brasil 19 x 14 Espanha
Brasil 17 x 7 África do Sul

Classificação Dubai 7s:
1º – Nova Zelândia
2º – Austrália
3º – Canadá
4º – França
5º – Inglaterra
6º – Fiji
7º – USA
8º – Rússia
9º – Brasil
10º – África do Sul
11º – Espanha
12º – China

 

Escrito por Amanda Abed

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