O trio de ferro do Sevens mundial

O trio de ferro do Sevens mundial

Se a Olimpíada fosse hoje, seria difícil tirar as medalhas de Nova Zelândia, Fiji e África do Sul no rugby 7’s. Não importa a ordem, mas o ouro, a prata e o bronze olímpicos provavelmente acabariam no peito dessas seleções, que estão um degrau acima no mundo do Sevens.

Não é a toa que, mesmo com derrotas para outros fortes concorrentes no caminho, elas estão na ponta do ranking do Circuito Mundial de 7’2 2014/15, evento que já vai classificar quatro nações para os Jogos no Rio 2016 – o Brasil já está garantido como país sede.

A Nova Zelândia já soma 12 títulos em 15 anos de Circuito. Os sul-africanos são a melhor seleção na atualidade, com um time versátil e infalível no ataque. E os fijianos reinventam a cada dia o significado de rugby Sevens, com jogadas inspiradas e uma alegria dentro de campo que contagia.

Para nosso país chegar mais perto da elite, separamos alguns pontos comuns das três seleções que tem dominado a dinâmica e disputada modalidade olímpica do rugby:

JOE wEBBER

O jovem neozelandês, Joe Webber, candidato a craque nos Jogos Olímpicos de 2016

> Jogo em equipe

Mesmo sabendo que no Sevens uma partida pode ser definida por um lance individual, o trio apresenta elencos muito fortes. O jogo é coletivo, quem entra do banco mantém o alto nível e as vitórias são celebradas em conjunto – assim como são divididas as responsabilidades das derrotas.

> Lideranças respeitadas

DJ Forbes, capitão da Nova Zelândia, já não é o mais rápido e forte em campo, mas mesmo assim tem o papel de liderança valorizado no grupo – e ele sabe mais do que ninguém como tirar o máximo do time. Kyle Brown, que veste a tarja sul-africana, chega a começar jogos no banco, nunca reclama e ainda costuma entrar para decidir. O fijiano Osea Kolinisau é um craque do Sevens e exerce a liderança pelo exemplo de jogador valente e disciplinado: nunca desiste na defesa e sempre cria algo impensável no ataque (suas características contagiam todo o grupo).

> Estratégia e muito treino

O Sevens é muito rápido, mas basta observar os jogos com atenção na parte tática para ver que nenhuma gota de suor é derramada à toa. Todos entendem o plano de jogo e seguem o combinado. Os fijianos, bem treinados por natureza, aceitaram o desafio do técnico inglês Ben Ryan, e já estão adotando um treino de atleta de ponta, em aspectos como nutrição, preparo psicológico e academia – acreditem, há poucos anos isso era raridade na Ilha. Os neozelandeses respeitam a rigorosa rotina de treinos de Gordon Tietjens, o técnico mais vencedor da história do Sevens. E os sul-africanos já se adaptaram a Neil Powel, novo comandante, depois de nove anos sob gestão de Paul Treu – prova definitiva do forte grau de dedicação dos atletas. Detalhe: as três seleções fazem parte do Circuito Mundial desde o início do torneio em 1999.

> Nunca desistir

Mais do que jogar bem, do que dar bons tackles e conquistar vitórias importantes, o que marca o trio é a garra. Não há jogo perdido para Nova Zelândia, África do Sul e Fiji. Campeonatos que definiram os títulos gerais de Circuito Mundial já foram decididos na última bola.

> Improvisar

No quinto e no sexto jogo de um evento internacional, as pernas já não respondem 100%. É claro que o treino é de alto desempenho, mas na falta de gás, Fiji, Nova Zelândia e África do Sul apelam para o improviso e costumam tirar da cartola jogadas improváveis. Podem apostar que até isso é resultado de horas e horas de treino, brincando de Sevens, testando novas opções e estando sempre no ápice do físico para realizar o que for preciso dentro de campo.

Fiji

Semi Kunatani em ação: um dos “fijianos voadores” mais ariscos da atualidade

 

 Fotos: Martin Seras Lima / World Rugby

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